Alfredo Augusto Tavares Gallinucci
É engenheiro eletrônico pós-graduado em Administração de Empresas, Gerente de Grandes Contas e Direitos Autorais da Microservice Tecnologia Digital.
Será que no mundo da alta-definição o tamanho da televisão importa tanto assim?
Uma das tendências que muitos de nós temos é a de achar que quanto maior, melhor... Teorias psicológicas compensatórias à parte, podemos, na prática, notar como existem grandes pick-ups e utilitários rodando pela cidade, e que talvez nunca venham a carregar uma única carga que pudesse justificar o investimento.
Assim também acontece com as TVs, principalmente com a popularização das tecnologias de Plasma e LCD. Qual de nós não fica maravilhado com todas aquelas 50 polegadas de alta-definição na vitrine das lojas, imaginando como adaptar os móveis da sala já existente? Mas é aí que mora o perigo, e pode ser que esta compra, antes de trazer alegria de ver a baba do cunhado pingando no tapete, acabe nos dando – literalmente – uma bela dor de cabeça!
Quando comecei a analisar a questão da distancia ideal entre a tela e a posição do expectador, me deparei com várias teorias que traziam cálculos a partir da altura, largura ou ainda da diagonal das telas. Mas basta navegar pelos fóruns de discussão para perceber que existem vários fatores tanto subjetivos como objetivos que relativizam o resultado matemático. Preste atenção quando for ao cinema e facilmente notará que há muito de preferência pessoal. Alguns se sentam no fundão, outros vão direto para a primeira fila procurando a maior imagem e ângulo de visão, enquanto outros simplesmente escolhem aleatoriamente algum assento entre dois extremos.
O principio de tudo está descrito em nosso encontro da edição passada, onde mostramos que a base da tecnologia da TV está em pequenos pontos nas 3 cores básicas (RGB), que a partir de certa distancia de observação deixam de ser vistos separadamente e formam, em nosso cérebro, a imagem do todo.
Existe então um compromisso entre qualidade e tamanho: você deve escolher entre um televisor que preencha seu campo de visão, dando a sensação de imersão, mas no qual você notará imperfeições na transmissão de vários sinais (podendo passar a ver a estrutura de construção da imagem digitalizada – linhas de varredura ou pixels que a formam – o que pode começar a distrair a sua atenção, atrapalhando a sua experiência de cinema em casa), ou um televisor em que não notará tanto estas imperfeiçoes pelo fato da imagem ser menos e, portanto, menos envolvente e/ou impactante.
Uma regra prática é o princípio “2 a 5”, que determina que para a melhor distância de visualização da TV, a posição de assento mais próxima deveria estar limitada aproximadamente duas vezes a largura da tela (mais precisamente 1,54x) enquanto a maior distancia não deveria exceder cinco vezes a largura da tela. Esta regra é baseada em estudos de limitação da acuidade visual.
Entretanto, é importante ter em mente que estas distancias máximas e mínimas devem ser vistas sobre o crivo da definição do sinal de vídeo, ou seja, um sinal de alta-definição cheia (Full-HD – 1920x1080, seja 1080i ou 1080p) possibilita uma distancia para assistir menor do que um sinal de TV analógica padrão. Assim, enquanto que de uma vez e meia a duas vezes a largura da tela representaria distancia mínima ideal para um display apresentado HDTV, ela seria próxima demais para assistir um sinal de TV padrão, onde duas vezes e meia a três vezes a largura da tela seria a melhor opção.
Da mesma forma, enquanto a máxima distancia adequada de cinco vezes é mais do que adequada para imagem de TV padrão, a mesma é muito distante para uma pessoa ver os detalhes finos suportados pela TV de alta-definição 1080p(ou mesmo 720p) – nestas, duas vezes e meia a três vezes a largura da tela seria um limite pratico mais adequado.
Hoje em dia o melhor investimento seria uma TV Full-HD, desde que se tenha ou pretenda adquirir logo dispositivos que nativamente usem esta definição, tais como aparelhos de Blu-ray e consoles de videogame de ultima geração. Mas não podemos esquecer a herança de nossa coleção de DVDs (ou mesmo algumas valentes fitas VHS esquecidas no armário) e principalmente das Tvs a cabo ou satélite, que não conseguem apresentar a mesma definição. Assim, melhor não puxar a regra para um outro extremo.
Uma experiência interessante é a de, em uma boa loja, antes de comprar, se posicionar na distância que você teria disponível em sua sala e então solicitar ao vendedor que utilize diferentes fontes de sinal da TV desejada. Lembrando que as imperfeições provenientes de fontes de baixas e médias resoluções que você pode achar que são “passíveis” neste rápido teste podem, em ambiente real e após períodos prolongados na frente do aparelho, trazer fadigs e dor de cabeça.
Ao menos no caso dos DVDs, já estão sendo comercializados aparelhos que aumentam artificialmente a resolução para 1080p (processo conhecido como “upscaling”), que auxiliam neste ponto.
Oftalmologistas recomendam que além da distância apropriada, tomemos cuidado também com a boa iluminação do ambiente, não deixando a sala nem muito escura nem muito clara em relação à TV. Isto evita forçar os olhos e a piscar mais para compensar ressecamentos, que podem levar à camada “vista cansada”. Como nas TVs LCD a disponibilidade de brilho é mais alta, a distância destas deve ser um pouco maior do que das TVs de Plasma, que são mais indicadas para ambientes de média iluminação.
Assim, a mensagem que fica é para antes de se maravilhar no ambiente de showroom, avaliar qual o seu uso real diário da televisão e, assim, as respectivas fontes de sinal, evitando desta forma gastar muito em uma tela grande demais para seu ambiente, que poderia lhe trazer frustração ou mesmo levar à fadiga... E uma dor de cabeça ainda maior do que a do bolso!