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Ano do Blu-ray 
 

2010: o ano do Blu-ray

Por Alfredo Augusto Tavares Gallinucci*

Se você acompanha o mundo high-tech, já percebeu um novo termo no vocabulário do brasileiro: Blu-ray. Discretamente, alguns produtos chegam às prateleiras e o mercado começa a se movimentar para ofertar a tecnologia em volumes maiores para o consumidor. E, se 2010 será mesmo o ano do Blu-ray, como apregoam alguns analistas de mercado, já podemos dizer que estamos andando em ritmo acelerado para alcançar as previsões.

Mas o que o Blu-ray muda na sua vida?  À primeira vista, a nova tecnologia de discos ópticos não surpreende. O Blu-ray continua sendo um disco de 12 cm, redondo e com um furo no meio. Mas sua aparência tão comum esconde um avanço considerável com relação aos seus predecessores, CD e DVD.

As mudanças começam no nome. Por que não é uma sigla como nos casos anteriores? Para entender, vale a pena conhecer uma breve uma historinha. Dois produtos disputavam a substituição do DVD: de um lado do ringue, o HD-DVD era o formato apoiado pelo Fórum DVD, tendo como principal defensora a Toshiba. Do lado oposto, havia o Blu-ray, cuja principal defensora é a Sony. Como o HD-DVD já havia utilizado a nomenclatura natural para indicar um DVD de alta definição, a Sony utilizou a base da nova tecnologia, o raio laser Azul-Violeta, para buscar uma nova relação, mais próxima ao consumidor. Mas “Blue Ray” (raio azul) não poderia ser registrado como marca em vários países por se tratar de um “nome genérico” e, por isso, foi retirada uma letrinha sem prejuízo à sonoridade do nome.

Apresentações feitas, vamos entender como esse simpático disquinho de alta definição deve mudar o futuro do consumo de áudio & vídeo. A base de tudo está em uma espiral contínua que se desenrola do centro para a borda do disco onde são feitos minúsculos sulcos (ou buraquinhos, no popular). O laser é apontado para esta espiral e a vai percorrendo, entrando e saindo dos buracos. Estas transições fazem com que o raio seja refletido para um leitor ou para fora dele, resultando em uma série de informações binárias (zeros e uns) que formam os dados digitais.

Podemos apontar duas mudanças na evolução do CD para o DVD: maior condensação de informações (os sulcos, ou “pits”, tiveram seu tamanho reduzido pela metade e a distância entre cada passada da espiral também) e a utilização de múltiplas camadas de leitura (utilizando materiais que refletem totalmente ou parcialmente o raio laser podem ser criadas novas espirais no mesmo disco, e assim multiplicar sua capacidade).

Para ler a informação ainda menor, um novo tipo de laser foi desenvolvido, com foco mais estreito. No CD era usado o laser infravermelho, enquanto no DVD foi usado o vermelho. O Blu-ray conta com os mesmos fatores em relação ao DVD. Uma fórmula deu certo: evoluímos da capacidade de 640 MB no CD para 9.4 GB no DVD, chegando aos expressivos 50GB no Blu-ray.

E, mal o BD entrou no mercado, já se discute se a futura mídia de entretenimento será mesmo o Blu-ray ou se haverá uma aceleração para a distribuição digital. Defendo tecnicamente a vida longa do Blu-ray, em especial, por não precisar da infraestrutura de banda larga. Por exemplo: os 50 GB de dados que cabem no disco permitem guardar toda a informação contida em cada quadro de 2 Megapixels.  Parece pouco em relação à sua câmera fotográfica digital? Tente transmitir pela internet mais de 20 quadros por segundo com esse tamanho para que os olhos possam experimentar um movimento contínuo... haja banda larga! A leitura é feita por um laser azul-violeta, que deve ser o último disco óptico a utilizar luz visível para leitura.

A construção física do disco é um pouco diferente, pois no CD os dados estão na superfície metálica, no DVD estão no meio do disco e no Blu-ray estão próximos à superfície no lado de leitura - por isso conta com uma camada extra de proteção contra riscos e consequências de manuseio.

Assim, para maior durabilidade devemos sempre manter estes discos em seu estojo apropriado. Ao contrário do CD, quando necessário, os discos DVD e Blu-ray devem ser colocados sobre qualquer superfície com seu rótulo virado para baixo.
Houve também um aprendizado e evolução com relação à proteção contra cópias de disco para disco, o que deve auxiliar no árduo combate à pirataria. Afinal, excluindo as questões legais, não faz sentido gastar com a compra de um bom sistema Full HD (TV e Blu-ray player) para nele utilizar discos piratas, utilizando materiais de baixa qualidade que, além da ilegalidade, comprometem o desempenho dos equipamentos.

Vamos acreditar no amadurecimento do consumo local e observar. Os chamados early adopters, que costumam se antecipar no consumo das novidades eletrônicas, gostaram bastante do que viram. Quem já experimentou, ficou encantado com os resultados, buscando euforicamente títulos nas prateleiras das locadoras. Mas ainda vamos ouvir falar bastante do Blu-ray no ano que vem. Estamos apenas iniciando o convívio com essa tecnologia e em 2010 teremos um mercado muito mais forte e amplo.

Alfredo Gallinucci é engenheiro eletrônico, pós-graduado em Administração de Empresas, Gerente de Grandes Contas e Direitos Autorais da Microservice