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Definição da Definição? 
Alfredo Augusto Tavares Gallinucci
É engenheiro eletrônico pós-graduado em Administração de Empresas, Gerente de Grandes Contas e Direitos Autorais da Microservice Tecnologia Digital.

Afinal qual o fundamento por trás da afirmação de que a alta-definição é um conceito relativo e não absoluto?

Primeiro precisamos entender o porquê da graduação de definição, e esta se baseia em uma característica do cérebro humano que podíamos chamar carinhosamente de “Me engana que eu gosto”, subdividida em montagem e movimento reagrupado.
A montagem pode ser notada quando dividimos uma imagem estática (parada, como por exemplo, uma foto) em uma série de pequenos pontos coloridos. Quando vemos este conjunto de pontos a uma distância suficiente, nosso cérebro consegue reagrupa-los formando uma imagem significativa. Este efeito pode ser comprovado inversamente quando você se aproxima da tela da televisão ou vê uma revista utilizando uma lupa, pois com a proximidade você começará a enxergar apenas os pontos e não mais a imagem em si.
Este efeito é a base de toda a mídia impressa (jornais, revistas, livros, etc.) e também de todo vídeo (televisão, computador, etc.), sendo que a diferença entre estas duas tecnologias está em como as cores são formadas. Na impressão, a tinta reflete a luz, portanto são necessárias quatro cores básicas – ou seja, cada ponto de imagem é formado de quatro outros pontos menores, um Ciano (azul claro), e um Magenta (rosa), um Amarelo e outro Preto, o chamado sistema CMKY, compondo uma pequena roseta colorida. De acordo com o tamanho destes pontos de cor básica e sua superposição, uma respectiva cor predominante será percebida. Já nas telas, os pontos possuem luz própria, portanto são necessárias apenas três cores básicas – o Vermelho, o Verde e o Azul, trio este conhecido como sistema RGB. Entretanto, diferente da impressão, estes três pontos são agrupados sem superposição para formar o ponto final na imagem.
Não importa a tecnologia empregada, quanto maior o número de pontos e a proximidade entre si, maior a definição de detalhes da imagem obtida. A medida em impressão é usualmente de densidade em DPI (pontos por polegada), enquanto nas telas  utiliza-se a quantidade de Pixels (Pixel é o nome bonito dado ao ponto formado pelas cores básicas) – de onde vem a medida comum em fotografia digital de Megapixels (milhões de pixels).Quanto mais pontos, maior a necessidade de espaço de armazenamento e banda de transmissão (o “calibre do tubo” por onde passam as informações, seja ar ou fiação).
O segundo efeito do nosso cérebro permite que a partir de uma seqüência de imagens paradas com uma pequena diferença entre si, mostradas em uma rápida sucessão, seja percebida uma única cena em movimento (o cérebro reagrupa as imagens paradas). Quem nunca fez a brincadeira de desenhar nos cantos das folhas do caderno ema seqüência que, ao folhear rapidamente, tornava-se um desenho animado?
Quando se junta de maneira adequada 15 ou mais quadros por segundo, nosso cérebro os integra em uma única cena em movimento. Qualquer velocidade menor que esta, dá a percepção de “andar aos trancos”, efeito normalmente percebido quando se utiliza Webcams para conversas via internet.
A televisão só é possível devido essas duas capacidades do cérebro – integrar os pontos de cada imagem para formar as imagens paradas; e então integrar as imagens separadas, de modo a junta-las numa cena em movimento. Na TV é utilizada a freqüência de 25 ou 30 quadros por segundo, dependendo do sistema adotado.
Com base nessas considerações iniciais, a partir de nossos próximos encontros vamos focar a alta-definição em vídeo. Alias, somente para relembrar, Analógico é tudo aquilo que nosso cérebro consegue entender e processar, enquanto Digital é todo agrupamento de combinações de apenas dois dados: “zero” e “um”, que o computador consegue processar (e depois transformar em analógico para nos apresentar). Até lá!