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Ó Raios - azuis? Parte 2 

Alfredo Augusto Tavares Gallinucci
É Engenheiro Eletrônico pós-graduado em Administração de Empresas, Gerente de Grandes Contas e Direitos Autorais da Microservice Tecnologia Digital



Em nosso último encontro passamos pelos fundamentos que permitem o salto de qualidade entre o DVD e o Blu-ray, mesmo mantendo o aspecto final do produto muito parecido.
Uma curiosidade é que a premissa para determinar a capacidade de armazenamento da nova geração de discos foi a de permitir a gravação de pelo menos 2 horas de sinal de HDTV (Televisão digital), o que resultava em pelo menos 22 GB de informação. Além disto, durante a virada do VHS para DVD a gravação digital e as funções de interatividade foram novidades introduzidas, sendo que para refletir as demandas atuais da indústria cinematográfica neste novo salto foram apresentadas interatividade de alta performance e conexão com serviços de banda larga.
Mas na prática, quais são os reais aspectos qualitativos percebidos ao utilizar um disco Blu-ray?

A parafernália

Devemos primeiro lembrar que para possamos usufruir dos mesmos não basta apenas comprar um aparelho de leitura (“player”), mas também um aparelho televisor Full HD (resolução nativa 1920 x 1080p) com conexão via cabo HDMI e um receiver capaz de decodificar o sinal de áudio TrueHD. Nisto a tecnologia difere do DVD, em que bastava conectar o aparelho no televisor de tubo para usufruir de uma melhoria de qualidade tanto em relação ao falecido videocassete (ei, espera aí, o meu está vivinho e cheio de fitas mofadas no armário esperando para um dia serem lidas...) quanto em relação à transmissão de TV aberta.

A imagem      

Devo admitir que ao ver pela primeira vez o mesmo filme rodando em DVD e em Blu-ray lado a lado fiquei surpreso com o resultado. Não esperava um salto tão expressivo, mas a primeira impressão foi de que a imagem do DVD estava “embaçada”. Guardadas as devidas proporções pode-se afirmar que lembra o diferencial entre o DVD e o VHS. Pela primeira vez pude notar claramente o que os especialistas chamam de profundidade da imagem. O nível de detalhe é tão maior que a sensação da distância entre os elementos de um ambiente, por exemplo, é bem mais “palpável”.

Alguns folhetos trazem a frase “imagem 6 vezes melhor”. Ao meu ver, subjetivamente falando, é muito melhor que isto. Mas de onde vem este número? A imagem do DVD é gravada em 720 x 480 = 345.600 pontos, enquanto que a de um Blu-ray é gravada em 1920 x 1080 = 2.073.600 pontos. Dividindo uma pela outra encontramos exatamente 6! Ou seja, temos 6 vezes mais informação ou mais detalhe na imagem.

O som

Não tenho um ouvido treinado nem sou um audiófilo, mas em ambiente específico para testes a qualidade do som 7.1 canais com menos compressão (ou seja, menos perda em relação ao som analógico original) pode ser notado. Vale a lembrança aqui que ressalto como o ambiente adequado, pois um bom sistema de som pode ser “atrapalhado” tanto com os elementos estruturais (pisos, paredes, forros) como com os decorativos e funcionais (sofás, mesas, tapetes, etc). Assim, é mais fácil se entusiasmar com a imagem do que com o som do Blu-ray... ainda mais se for como lá em casa, onde sempre levo bronca quando “aumento um pouquinho o som” para sentir melhor o filme... será que todo homem é meio surdo?

Na próxima edição falaremos sobre a interatividade, afinal não bastava a interação com o conteúdo do disco, com esta nova tecnologia ainda podemos trabalhar com material adicional diretamente na internet... e aí o céu é o limite! Até lá!