Alfredo Augusto Tavares Gallinucci
É Engenheiro Eletrônico pós-graduado em Administração de Empresas, Gerente de Grandes Contas e Direitos Autorais da Microservice Tecnologia Digital
Em nosso último encontro comentamos alguns reais aspectos qualitativos percebidos ao se utilizar um disco Blu-ray, com enfoque em imagem e som.
Agora, no quesito navegação do título a interatividade do Blu-ray pode ser considerada um capítulo à parte, afinal ele utiliza tecnologias mais recentes e próximas aos usuários de internet.
Linguagem Java
Cada vez ouvimos falar mais e mais desta linguagem de programação, seja na internet (onde são mais notadas pelos usuários comuns ao utilizar os aplicativos bancários ou mesmo ao escolher qual versão da declaração de imposto de renda baixar), em dispositivos diversos (eletrônica embarcada em eletrodomésticos, por exemplo) e celulares.
O Blu-ray a utiliza para toda a programação visual e de navegação (BD-J), o que no início causa uma série de transtornos aos estúdios de autoração, mas que uma vez passada a curva de aprendizado traz um leque muito grande de possibilidades devido a sua enorme flexibilidade.
Informações simultâneas
Uma característica muito legal desta nova tecnologia é o fato de permitir que sejam lidos dados a partir de pontos diferentes do disco enquanto é feita a decodificação e apresentação do vídeo, ininterruptamente. Usando a tecla SAP, trata-se da habilidade de ao mesmo tempo em que toca o filme apresentar na tela outras informações, como menus e extras, sem precisar parar e voltar.
Isto realmente pode ser definido como interatividade, pois a sensação é literalmente de estar interagindo com o próprio filme. Dentre alguns exemplos podemos citar:
- Menu completo enquanto passa o filme – avaliação e navegação no conteúdo do disco, incluindo extras – utilizando inclusive botões animados e com múltiplas páginas;
- Linha do tempo – visualização da seqüência de cenas para criação de marcadores (como se fossem marcadores de páginas digitais) que permitem voltar ao ponto exato desejado;
- Experiência dentro do filme – Que tal ver comentários dos criadores, diretores e protagonistas, ou mesmo visualizar como foram feitas as cenas e seus efeitos especiais, dentro da própria cena em questão, em uma janelinha do tipo PIP (Picture in Picture)?;
- Pop-ups animados – assim como na navegação em sites, podem ser apresentados informações que “saltam” do conteúdo com informações curiosas sobre o filme, protagonistas ou qualquer assunto de interesse relacionado às cenas.
- Legendas – podem ser customizadas (estilo de fonte, tamanho, cor, localização na tela) e animadas.
Armazenamento
Como o tocador deve conter uma pequena área de armazenamento não volátil (memória flash, como a de um pen drive) o sistema pode armazenar pontuações em jogos, marcadores, favoritos dos discos, resultados de treinamentos, etc.
Acesso “vivo” à internet (BD-Live)
Alia-se a todo o comentado o suporte a protocolos básicos de internet como TCP/IP e http, que permite ao tocador conectar ao website do produtor do disco e destravar certos conteúdos especiais do disco (após atender certas condições como registro ou pagamento), ou ainda mostrar dinamicamente na tela certas informações atualizadas como a programação de horários de cinema para determinado filme. O programa do disco pode ser estendido com figuras ou segmentos de áudio baixados diretamente da internet, ou até mesmo fazer o stream de novos conteúdos audiovisuais para o armazenamento local.
Alguns exemplos que tem sido disponibilizados são:
- “Skins” – aspectos visuais - para personalização de menus;
- Aplicativos de arquivo com dados dos personagens, elenco, locais de filmagem, etc;
- Bônus, extras, cenas exclusivas;
- Ofertas de produtos relacionados ao filme;
- Acesso privilegiado a informações de sequências em produção;
- Fórum e bate papo ao vivo com comunidades de fãs e amigos;
- Concursos e premiações;
- Acesso a videogames relacionados ao filme.
Como eu já disse anteriormente, as ferramentas foram colocadas nas mãos dos desenvolvedores de conteúdo, agora é só aguardar a criatividade humana – aí o céu é o limite... aproveitem!