Alfredo Augusto Tavares Gallinucci
É Engenheiro Eletrônico pós-graduado em Administração de Empresas, Gerente de Grandes Contas e Direitos Autorais da Microservice Tecnologia Digital
Após termos analisado as duas tecnologias que estão atualmente na disputa pelo maior espaço nas prateleiras (LCD e Plasma) eu gostaria de falar um pouco sobre outro tipo de televisor que pode vir a ser um competidor à altura nesta briga de gente grande.
Quem não se lembra daquelas TVs imensas (normalmente acima de 50 polegadas) em que havia um canhão de projeção por trás da tela? Embora a imersão fosse grande, a imagem final não era lá estas coisas...
Entretanto a fabricante de circuitos integrados Texas Instruments desenvolveu de forma absolutamente brilhante um pequeno “chip” de poucos centímetros onde pasmem, são acondicionados milhões de pequenos espelhos que se movimentam para refletir a luz. Este “chip” é chamado de DMD (Dispositivo de Microespelhos Digital), também conhecido pela bela descrição “Modulador de Luz Espacial Binário”, ou simplificando ao máximo, interruptor de luz muito sofisticado...
No DMD existe uma matriz de espelhos que corresponde à resolução final da tela. Ou seja, para cada pixel (ponto colorido) existe um espelho correspondente. Você consegue visualizar na palma de sua mão todos os 1.920 x 1.080 = 2.073.600 espelhos que compõem uma imagem Full HD? Mas é justamente esta relação um pixel = um espelho que resulta em uma imagem digital excepcionalmente precisa. Cada espelhinho mede 16 x 16 um (um micrômetro corresponde a um milionésimo de metro), está distante de seu vizinho apenas 1 um e pode ser dirigido em um movimento para frente e para trás sobre seu eixo em um ângulo de até 10º. Este movimento é suficiente para refletir a luz em direção a uma lente óptica – que por sua vez a projeta em uma tela na forma de um ponto luminoso – ou para fora da lente em um elemento absorvedor de luz.
Ok, então temos pontos que acendem e apagam, mas como consegue-se os tons de cinza, ou níveis intermediários de luminosidade? Através da rápida oscilação dos microespelhos entre suas duas posições - de ligado e desligado. A técnica para produzir a sensação de escala de cinza nos olhos do expectador é chamada de modulação de largura de pulso binária, e o que enxergamos é efetivamente a versão analógica de um sinal de luz puramente digital.
E quanto às cores do pixel? É utilizado um disco colorido composto de filtros vermelho, verde e azul (RGB), os quais direcionam pulsos individuais de luz colorida sobre o DMD para processamento em escala de cinza, girando a aproximadamente 120 vezes por segundo. Os DLPs mostram imagens coloridas como rápidas seqüências de sinais luminosos vermelhos, verdes e azuis, as quais o cérebro integra ou lê estes dados seqüenciais de cores como um sinal analógico ou de figura completa. Como são 256 níveis de cada cor básica temos como resultado uma palheta de 16.8 milhões de cores diferentes! Alguns modelos mais sofisticados usam ainda 3 DMDs separados, cada qual com sua fonte correspondente de cor.
Dado que esta remontagem acontece somente no expectador, a tecnologia DLP mantém a integridade e fidelidade dos sinais de vídeo desde o início (fonte) até o final (display).
E quais as vantagens desta excepcional tecnologia?
1) DLPs têm inerentemente mais brilho do que as outras tecnologias por ser um dispositivo reflexivo. Assim, sua eficiência luminosa acima da média vai ter uma excelente performance sob a maioria das condições ambientais, não “lavando” a imagem em salas claras e fornecendo preto e sombras mais realistas (afinal o preto é a luz totalmente refletida para fora da tela).
2) Ausência de tremulação (“flicker”) na imagem, reduzindo a fadiga visual
3) A imagem é clara e brilhante por toda a tela, mesmo nas bordas. A imagem é mais suave, homogênea e realista, pois a distância entre os pixels é muito menor do que das outras tecnologias.
4) Velocidade de resposta – devido à alta velocidade de chaveamento dos microespelhos (aproximadamente 50.000 vezes por segundo) imagens em movimento são facilmente apresentadas, sem artefatos de movimento, por exemplo. Assim, também são ótimas para videogames.
5) Imagens estáticas têm estabilidade, clareza e geometria muito boa, o que faz das DLPs ótimos monitores para aplicações de software
6) Não há o problema de queima da tela (“burn-in”) com imagens estáticas.
7) Longevidade – o único elemento com desgaste é a fonte de luz, que pode trocada facilmente e com custo relativamente adequado.
Desvantagens:
1) Campo visual mais restrito - 150º na horizontal, mas com uma restrição ainda maior na vertical – as DLPs necessitam ser posicionadas ao nível dos olhos – mais para cima ou para baixo a experiência de visualização fica bem prejudicada.
2) Mesmo tendo melhorado muito em termos de peso e espessura, ainda perde para as LCDs e Plasma neste quesito.
3) Disponibilidade no Brasil ainda é pequena.
E aí, já escolheu a sua TV de alta definição? Até a próxima...